segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Minha vida anda tranqüila, sem problemas. Porém... quando isso acontece, sou incapaz de escrever. Preciso de um buraco no caminho, preciso duma pedra na cabeça, preciso sair desse marasmo, dessa mediocridade. Tudo isso apenas para conseguir escrever algo, não precisa nem ser bom, mas preciso escrever, já se passam 15 dias sem uma linha escrita, idéias nem passam pela minha mente.

Por favor, se quiserem manter esse blog calado mantenham essa situação, mantenham essa paz. Se quiserem o meu bem, me tirem desse mar sem ondas, desse céu sem nuvens, dessa vida sem quedas. Tirar-me desse lugar é simples, me xinguem, me traiam, briguem, me larguem, me esqueçam, me abandonem. Simples assim. Preciso disso, essa vida sem letras, frases, emoções não é para mim. Sou masoquista, me chicoteiem que assim praticarei minha terapia, liberarei meus fantasmas, meus medos, meus lados nefastos daqui de dentro. Escrevo muito mais do que terapia, porem não sei como explicar, então digo terapia mesmo.

Dêem-me a solidão de algumas horas, uma poça de lágrimas, borrões avermelhados, cicatrizes, euforia, incerteza, saudades, me dêem a duvida saudável! Pronto. Assim escreverei.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

I'm not happy when it rains.


Chove forte. Há meses que D. Pedro chora por motivo desconhecido, castigando Santa Catarina, será que a mesma fez algo de mau? Não temos resposta para o plano superior.

Debaixo de um casebre simples a família celebra o primeiro “papai” dito pela menina de 11 meses. Seus pais riem do feito da pequena. A morada fica num morro protegido pela mata nativa, árvores verdejantes que estão cansadas de serem molhadas.

As lágrimas do santo continuam por horas seguidas, o céu está negro parece noite, não se sabe exatamente se já o é ou se ainda é dia, olham para o relógio, é hora de dormir. Deixam o nenê em seu berço quente, vão para a cama de casal.

Ela chora assustada pelo barulho de trovões.... os pais a levam para a segurança de seus braços. Conseguem-na acalma-la por certo tempo, não esperam o acontecimento que acontecerá em poucos... Boom! Ouvem ao fundo, o pai e marido protege sua família, num instinto rápido, animal! Segundos depois acontece o pior as árvores-muro caem. Lama invade toda a parte, leva pertences. A cama jaz em pedaços, ele solta a mão da mãe do rebento para proteger a indefesa criança... instantes depois é o fruto do amor que se vai. Ele é resgatado, preferia que resgatassem as duas e o deixassem, já não há tempo. O pai outrora orgulhoso perde tudo num espaço de segundos, no máximo um minuto.

Levam-no a uma igreja-abrigo. Está desolado, a tristeza, a desesperança, o medo e poucos momentos lúcidos se alternam. Não consegue chorar, não acredita, tenta, mas é impossível. Não dorme, lembra dos 11 meses mais felizes de sua vida e do momento em que o Sol brilhou forte e rapidamente... “Papai!”, “Papai”, “Papai”, ... a palavra, a lembrança, o momento, o sorriso, a voz... não sai de sua cabeça. Papai...

ps. Inspirado na reportagem ‘“Em menos de 1 minuto, eu perdi as duas’, diz o pai” – O Estado de S. Paulo, Terça-feira, 25 de novembro de 2008, p. C6 (Cidades/Metrópole).


quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Anseios, vontade, desejos, repulsa II

Abraço carinhosamente, meu homem, que está ao lado. Ele parece cansado, não dá atenção, vira o rosto, distante de mim... dá minha doce boca, será que me acha feia? Não entendo foi tão bom, cheio de carinho, o que fiz de errado? Faço perguntas se há algo errado, me responde curto e seco, com sims e nãos. Parece não se importar. Quero conversar!

Ta um calor dos infernos, estou descabelada e suada, será esse o problema? Ele acende seu cigarro intragável, por que eles sempre têm que fumar depois? Acho que é seu único problema... um péssimo hábito, eu falo, mas não me ouve, é teimoso. Ele está tão distante! Pouco tempo atrás estávamos como apenas um, agora ele viaja pelo seu mundo paralelo e alheio; não paro de pensar no belo homem que és!

Sim, sei que sou um tanto insegura, mas oras, como não ser? Meus cabelos são feios, sou gorda, já fiz dieta da lua, da sopa, a base de água, comprei a revista “Em Forma” e não deu resultado! O problema é comigo mesmo. É isso, por isso ele está distante, continuo fazendo carinho, sem resultados, porém.

De repente, uma reação inesperada! O filho-da-puta me chama de gorda, certeza que ele está com outra, que absurdo! Eu não sou gorda! Não sou! O expulso da minha cama, do meu quarto, da minha casa, da minha vida... AAAAAAAAAAAH! Eu tô gorda! Ele disse, pior ele teve a indolência de dar um lindo, quero dizer um horroroso sorriso, e disse que me ligaria... ai... vou tira-lo da minha vida! Eu te odeio!

Passo o resto da madrugada acordada, acordo minha amiga e me afundo em lágrimas raivosas, xingo o idiota e como um pote de sorvete! ... ele vai ver só! Um dia vai rastejar por mim, desgraçado!

ps. Esse texto é machista! É sexista! E é paródico! Especial para Érika! Que venham as pedras que meu telhado não é de vidro

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

anseios, vontades, desejos, repulsa

Viro pro lado e tento adormecer, porém a moçola insiste em querer conversar e perguntar e invadir meu espaço. Desejo apenas minha paz interior, recuperar meu fôlego, depois de muitas curvas, níveis e desníveis, altos e baixos relevos. Mas, diabo, insiste em não calar. Acendo meu cigarro restaurador e me imagino em outros braços, num lugar qualquer bem distante donde estou; longe desse calor que cola e molha, como molha. Mèrde! Ao que parece ela discorda, entretanto não usa palavras, apenas gruda os corpos nuns aos outros, molhada já está.

Desejo algo, ela também o faz, mas não há concordância nas vontades: eu quero fugir, ela quer ficar; eu quero o êxtase e o descanso, ela quer o êxtase e atenção; eu quero apenas fumar, ela quer só falar; eu não desejo ouvir, ela também não. De forma lacônica a noite termina... digo belas gordas palavras e viro para o lado. Ofendida, se veste e me expulsa de seu abafado quarto. Agradeço com um sorriso, digo cinicamente que ligarei. Ando pela fresca madrugada, agora com meu anseio de paz realizado... não sinto remorso algum em descarta-la como comida vencida.
Chego em casa e, finalmente, durmo sob o ar condicionado, pensando em braços, não os da moçoila de minutos atrás, mas noutra, aliás A outra.


segunda-feira, 27 de outubro de 2008

EP - Pareço Virtual


Meus queridos leitores (cof.cof), lembram quando escrevi sobre o Cérebro Eletrônico e o fantástico show? Pois é, a Phonobase, gravadora da banda mandou um link especial para baixar um EP virtual, cujo nome é Pareço Virtual, com algumas músicas do cd Pareço Moderno, remixes inéditos e músicas ao vivo. Recomendo fortemente!
É complicado resumir o som da banda, são influências de todos os lados, desdo rock passando pela bossa e mpb. Letras bem-humoradas com citações pop (Caetano, Roberto Carlos, Raul, entre outros), melodias que grudam... Bom, perceberam que eu gosto demais, né?

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

a desordem da ordem.


tudo está fora do lugar ou talvez esteja no lugar que sempre deveria estar. há controvérsias: invadiram sua casa, "arrumaram" as coisas como se fosse o lar dos invasores. aquela perfeita ordem artificial, aquela sensação de invasão íntima. simplesmente ali não é o que era, enquanto não desarrumar tudo, será apenas um novo espaço,  não sabe quanto tempo demorará. na verdade, nem tem certeza se não levaram nada, afinal... ele sabia onde estavam as coisas na desordem anterior, espera descobrir logo onde está o velho quadro verde psicodélico, o maldito escalímetro quebrado que era da vovó, os quadrinhos do watchmen, a camisa listrada do verdão de 93, os cds pirateados do velvet underground, do jesus & mary chain e do vanguart, além claro de toda sua coleção de livros beat. maldição! não os acha e sente um profundo vazio, parte de sua vida não está como devia estar. procura em cada pilha que vê. espera que não demore muito, afinal a morte já está batendo à porta com sua foice.

ps. por favor, se ainda existirem erros... avisem, foram 9 editadas em 15 minutos. ando meio desconcentrado.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

adeus, meu porto seguro...


meu navio está totalmente à deriva no grande oceano, abandonei a pouco meu porto seguro, talvez alguém o invada ou o destrua, mas é necessária a partida. mudanças são fundamentais. nesses dois anos e pouco, fizemos pequenas viagens até ilhas e portos próximos, mas nada excepcional. não sei quando voltarei para ai, tampouco sei se sobreviverei ao vasto mundo, mas para isso que vivemos, grandes aventuras piratas. meus marujos estão loucos de ansiedade. parto sem data para volta. sobrevivo com a intenção de viver. pilho para não ser pilhado. e que venha à próxima nova grande aventura. adeus meu porto seguro. talvez seja um até breve, mas o futuro não me pertence, então que seja...