Qual outro nome posso dar a esse post, que vou falar sobre o lugar que encontrei as pessoas mais foda, nos três anos mais foda da minha vida? É, a Federal acabou, aquele lugar que você achava que só ia encontrar nerds-jogadores-de-magic, metaleiros e gente estranha, incluindo você. No final, achou as pessoas que fizeram você crescer, que fez você valorizar ainda mais as amizades e perceber que tudo tem seu lado muito positivo! Mesmo que não seja a melhor escola no quesito “matéria”, nunca vai achar o grupo de pessoas como os que achou lá. Tenho quase certeza disso.
É estranho pensar nisso, mas aquele lugar tem tudo para você não gostar, é feio, instalações pífias, material antigo, professores displicentes (claro que nem todos), mas não, no final de tudo, você percebe que lá é diferente e todos esses contras fizeram você melhorar, ser mais independente e menos filhinho-de-papai-que-estudava-numa-escolinha-que-mandava-bilhetinhos-caso-não-fizesse-a-lição, mas lá, não, você tem que aprender sozinho, você não é cobrado, mata aula, toca o putero, faz o que quiser, essa liberdade é o diferencial. Tá, mas tudo isso não explica o porquê de se apegar àquele lugar, perceber que vai sentir falta e o pior, qual a relação de tudo isso com as pessoas que lá estão?
No começo, toda aquela dificuldade, escola nova, ambiente novo, miguxos novos e você todo retraído lá... com medo de não gostarem de você, mal você pisca e já está no meio do ano, com amigos e panelas. Piscou de novo, 2º ano, e você percebe que aquelas pessoas são diferentes das outras, tá, possivelmente percebeu antes, mas é estranho como suas amizades vão crescendo, você deixa de ser tímido, começa a “causar”, porque você é malandro, o tempo vai passando e já está no 3º. Ai fudeu, começo do ano, e você percebe que já é o último naquele lugar feio, por enquanto tudo normal. Muitos amigos vão fazer o cursinho e cai a ficha que tem aquele testezinho no final do ano, o Vestibular, mas você está todo tranqüilo, então começam as contagens regressivas para a viagem de formatura, Porto. E chega, Porto, você causa, beija mil e umas (ou não), bebe todas, percebe, logo depois que volta, que aqueles caras são realmente sensacionais, afinal “só se conhece os amigos, quando se viaja com eles”. E cai a ficha, final do ano, último bimestre, começa a famosa DPP (depressão pós-porto) e os dias passando cada vez mais rápido, passa Unicamp, passa Fuvest e acabou. Você toma um porre fenomenal, chora pra caralho em homenagem aos amigos, por enquanto estou aqui.
Um dia completo, o que mais posso dizer? Que não me arrependo de nada, que aquela escola (escola? Clube vá, lá) é demais, que os amigos são muito bons, que nada mais vai ser igual, que você vai sentir falta até daquele amigo pentelho, que a sua tchurma é foda, mas que nunca mais vai ser igual, todos juntos e que você está envelhecendo, chegando a hora de amadurecer.
Mas acima de tudo isso, o fim do Colegial é só o fim de mais uma fase, que nem aquela formatura do prézinho, o fim da 4ª série e da 8ª. Tentam te convencer disso, eu discordo, talvez por estar tão próximo ainda, talvez eu seja um bobo, novo-velho, já saudosista, mas é isso, para mim é diferente. Mas no final, deve ser só mais uma fase, como todas as outras, os amigos continuarão, não importa a distância, novos amigos chegarão, novos ambientes você vai freqüentar. E na memória fica o companheirismo, a amizade, os bons e maus momentos passados juntos, os estranhos, os professores, as cagadas, os bares, as baladas, aquele jogo de futebol e pasmem, até as aulas.
Federal, o clube-escola que deixa saudades, nos três melhores anos da minha (ainda) curta vida. Dos ensinamentos, e perceber que aquilo é uma prévia da faculdade. Mas vá lá apesar de todas as dificuldades que encontraremos, a amizade continua e perceber que tudo valeu a pena. E, não, a ficha ainda não caiu.