segunda-feira, 7 de março de 2011

Cuyabá, a cidade do aconchego.

Cuyabá, a cidade do aconchego. Não há cidade como essa em lugar algum. Não é possível existir tamanho calor, tamanho amor e nem tamanha delícia de comida como aqui. Essa dica é pra você, amigo paulistano, que conhece o mundo todo e tá enjoado de todos esses, eu duvido e muito que você tenha ido a Cuyabá. Só digo uma coisa, vá! Vá sem pensar duas vezes, vá sem conhecer ninguém. A cidade vai te abraçar como nenhum dos 300 países que você conhece. Muitas cidades são receptivas, muitas cidades são quentes,
e muitas cidades tem comida boa, mas não há nenhuma que junte as três características que abrilhantam a capital do Mato Grosso. 

Cuyabá, a cidade do aconchego, tem seus muitos defeitos, assim como todas as outras tem. Mas seus feitos, suas glórias não são algo palpável. Não é o Louvre ou a estátua da Liberdade ou qualquer desses lindos monumentos mundiais. A glória dessa cidade, quente como o inferno, são suas pessoas. São elas que transformam Cuyabá na cidade do Aconchego, a cidade que te recebe como uma mãe, te abraça e te dá para comer no colo. Não sei se é o clima quente ou sei lá o que... as pessoas lá são quentes e carinhosas e vão gostar muito de ti, mesmo que seja um paulistano metido. Não sei ao certo explicar, mas dúvido que haja outra pessoa em outra cidade que te convide ao casamento, tendo te visto duas vezes na vida (Gabriel, pra ti <3). Ou então, sair para tomar um ar do café e ficar meia hora conversando sobre a vida do moço sonhador que quer ser vencedor de luta livre. Ou descobrir que o moço mora em um bairro distante e morou no Japão, está solteiro de novo e tem um Zippo japonês.. Não há nenhum lugar que as pessoas vão conversar tanto sobre a vida com você. Elas gostam de você muito rapidamente. Não tem essa de distância nem nada do tipo, elas querem que você se sinta em casa e vão fazer o máximo para que isso funcione.

Cuyabá, a cidade do aconchego, te impressiona logo ao descer do avião. Aquela andada na pista é o melhor cartão de visitas que a cidade podia te dar. E ela te dá. Não tem como esquecer aquela sensação de calor, aquele sol queimando a sua têmpora e você com aquele casaco para meia estação. No meio da longa pista, você vai tirar, acredite. O calor é insuportável, mas deve ser ele que faz a cidade ser tão aconchegante, com lembranças da infância, mesmo que você tenha sempre passado a vida na cidade. Uma cidade grande com clima de pequena. Aquele clima de todo mundo tratar bem e querer o seu melhor.

Cuyabá, a cidade do aconchego, só tem esse título pra mim por causa da comida. CARALHO, que comida. O pessoal da Leila Malouf e do Mahalo que me desculpe, mas eu gosto mesmo é da comida da Maria e da comida dos restaurantes típicos. Não que esses lugares chiques são ruins, muito pelo contrário, mas a comida cuyabana é o ponto forte junto com as pessoas. Provavelmente em todo lugar há a boa comida típica. Os peixes ensopados e fritos e grelhados e assados. O arroz com pequi. A maria izabel. Mas nada, não tem como superar, não existe, nada parecido em lugar algum, a já lendária, farofa de banana. Banana e farinha, só isso. Cada um dos restaurantes, cada uma das cozinheiras tem uma farofa melhor que a outra, mas a melhor de todas é a Maria (<3). Essa comida tão particular, tão quente e tão gostosa aquece o coração como nenhuma outra. Em nenhum lugar, a comida te faz sentir tão bem quanto aqui. Pra mim, Cuyabá, é a cidade em que eu como e me sinto em casa. Mesmo não tendo ido mais do que uma mão de vezes para lá. 

Considero Cuyabá, a cidade do aconchego, a minha segunda cidade. Junta o melhor da cidade pequena com o melhor de uma capital. Mas as pessoas, as comidas, os lugares, o jeito cuyabano é especial. Mesmo depois de velho, depois de muito tempo sem voltar, vou lembrar com nostalgia de cada uma das comidas. Cada uma das pessoas que conversei. Cada segredo que Cuyabá tem. Cada abraço acalorado ou dia suarento que passei pela Hell City. E cada uma das pessoas especiais que mesmo não sendo cuyabanas de nascença, o são de coração.

É para vocês, cada um de vocês que me tratou bem. Que me deram um abraço. Que me apresentaram um lugar. Que me fizeram sorrir ou me contaram um causo. E sempre me fizeram sentir em casa mesmo tão longe da minha cidade. Vocês fizeram essa cidade, a minha segunda cidade. E me fizeram melhor. Mais humano, mais aberto. Mais caloroso, como cada um de vocês.

Cuyabá, um caso de amor.

Para Laís e suas comparsas que me divertiram e me contaram tantas coisas e me ensinaram e me levaram
Para Hélinho e o Vanguart que me fizeram sorrir e chorar com suas canções. E me ensinaram.
Para Gabriel e Daniel, mestres da eletrônica do Brasil que me fizeram me sentir especiais, sem contar o fato de ter conhecido os dois no mesmo lugar em anos diferentes.
Para Pablo Capilé e o Espaço Cubo e Kayapi e o Macaco Bong por me darem apoio quando fui trabalhar por lá.
Para muitos outros que nem cheguei a saber o nome, mas me trataram sempre bem.
Para meus sogros (haha - sem puxa-saquismo).
Para muitos que merecem estar aqui, mas não quero me alongar.

Cuyabá, eu te amo.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

nas minhas viagens de ônibus pela cidade de s. paulo, durmo. ou faço questões para mim. questiono, questiono, às vezes, é tão enfadonho o questionamento que durmo e perco o ponto ou acordo e desço correndo.

um desses questionamentos chatos foi esse...

se alguém disser que preferia o meu eu de antes, por ser mais divertido. mandarei calar a boca. não era mais divertido, era muito mais dolorido e no fundo solitário. se esse alguém gosta de mim, deve saber que se hoje sou menos divertido, no duro, sou muito mais feliz.

pra você, sua companhia que me preenche e faz tão bem.

pra você que querendo ou não, me fez parar de rir de tudo, como fazem as crianças. se hoje tenho barba na cara, pode crer, parte dela é sua.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

depois que te conheci, escrevi apenas um texto...
dolorido, manchado de saudades do seu passeio pelo lado antigo das gentes
queria escrever mais,
mas a felicidade que me invade quando estamos
me impede

escrever é algo para quem tem talento
ou sofre demais
não sofro mais
não tenho como escrever

quarta-feira, 1 de julho de 2009

na caída do dossel

cama vazia
rola pro lado, há espaço demais, prefere o aperto e  o aconchego da cama de solteiro cheia
ao monte de lençol para ele
prefere a disputa pelas cobertas nas noites gélidas
a ficar com todo o calor que não aquece
nesses momentos que não passam e existem

ele volta em tempos, tempos que não acabam
tenta se divertir nessa solidão forçada
com a distância de um oceano os separando, como uma barreira
lado oriental e ocidental bloqueados
por um muro que tem data pra cair

risca os dias no calendário pela manhã, confere se estão riscados pela tarde
e rerrisca quando o sol se vai
faz mais um traço ao cair no espaço do dossel
não é mais o mesmo

o tempo teima a não passar
minutos são horas, horas são dias
sua falta de sono o ataca fortemente, teima em tentar falar
não há quem o escute
o Atlântico o rasga como papel frágil

o aperto no peito
o suspiro longinquo
a cidade que não dorme, agora calada
a noite que teima em não vir
a saudade retorcendo seu corpo

apenas tem tempo para escrever sobre uma paixão
aqueles que não estão vivendo uma paixão
ou os que estão impedidos de vivê-la

e ele se revira mais uma vez na gigante e vazia cama
sempre contando o tempo que não vai.

terça-feira, 7 de abril de 2009

andava por ai, arrogante como sempre, calado como nunca. ia pelas serras de minas gerais, suas curvas mais que tortuosas, seu povo acolhedor e aquele frio serrano na época do inverno... andava, não sabia para onde, não sabia bem o motivo, apenas seguia meu caminho, meio que fugindo do meu negro passado e dos fantasmas que ainda me perseguiam. andava morro acima, morro abaixo, esquerda, direita. então encontro outro viajante, um sujeito com um sotaque bem estranho, parecia português, veio com um papo que não sei o que lá, sou português, vim pro brasil passear e me apaixonei. como sempre faço e todos devem fazer ignorei o sujeito, falando qualquer coisa por cima, pouco me importando com ele, visivelmente mais maduro que eu. então tomo um esporro, desses de gente velha em gente nova e pior fico calado, engulo orgulho, reputação, arrogância e tudo mais para ouvir um sujeito que eu não conhecia, mas me parecia tão parecido comigo... acendo um cigarro enquanto ouço o esporro que deveria ser arrogante e manter minhas convicções, mas deveria ouvir pessoas por nunca saber quem são elas, disse que era igual a mim. engulo tudo e nem retruco direito, conta aos montes suas historinhas luso-brasileiras, mostra desenhos de seus cavalos. depois do início atordoante, cria-se uma admiração, uma coisa irmão mais novo, irmão  mais velho... tiro uma cerveja de algum lugar, acendo um fumo e fico ali com aquele que por um acaso foi o irmão mais velho que nunca tive, mesmo que tenha sido por algumas poucas horas. pessoas parecidas se atraem, não tem outra explicação, só trombo com malucos, bêbados, drogados e viajantes, não existem pessoas normais a minha volta, desculpem-me... mas não existem... ah minhas serras mineiras, meu frio invernal, meu queijo e meu sotaque tão querido.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Cérebro Eletrônico, questionário e single inédito

Senhores, senhoras e senhoritas, novamente venho aqui em pró-da grande banda Cérebro Eletrônico, como todos sabem adoro a banda, tem uns 2 ou 3 posts falando dela por ar aqui... Me pediram um pequeno favor... vocês devem responder esse questionário aqui e no final da pesquisa, poderão baixar o single inédito: "Marcha de Núpcias do Carnaval" que estará no próximo álbum da banda, além de concorrerem a alguns prêmios como o sensacional box Cerebral (que vem com um cd em digipack, adesivos, fotos, livrinho sobre a composição das músicas) e alguns cds da banda.

Respondam e divulguem! Não custa nada com exceção de alguns minutinhos!

Valeu!




sexta-feira, 13 de março de 2009

19

alguns dias atrás fiz 19. tô velho pra caraleo. mas nada disso importa depois da melhor festa que já tive na vida. obrigado porcas, obrigado cérebro, obrigado amigos. todos que estavam lá em corpo e em espírito. demorou muito pra cair a ficha. li coisas como "noite antológica" por mr. h., li como uma das melhores festas já existidas por danislau também. obrigado mesmo! mesmo com minha amnésia alcóolica... os momentos que tenho como lembrança são fantásticos, nada menos que isso. o clima sensacional... não enumerarei quem estava lá por medo de esquecer alguém, mas agradecimentos sinceros, muito sinceros e emocionados pra vocês, meus amigos.

vai ser difícil bater essa festa. que venha os 20. com mais shows, mais álcool, mais helena, mais tabaco, mais amigos, mais música no camarim, mais fotos vergonhosas, mais dinheiro emprestado pra pagar, mais botas de meninas provocantes, mais sorrisos sinceros, mais companhias do caraleo, mais augusta, mais noites insanas e dias também, que venham mais abraços, parabéns. o presente? isso a gente deixa com a presença.

obrigado, mesmo!

quarta-feira, 4 de março de 2009

vício.

antes sofria e chorava
bebia e fumava
tudo por causa dela
doía? sim, como doía

agora, não ama mais
a vida não tem graça
plana e sem emoções
vive para sobrevida

procura em esquinas
em todo lugar olha
e não acha

aquele sentimento
esquece como era
mas deseja de novo e de novo
[e de novo e de novo... viciou.




sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

desço a rua dos prazeres, a cada esquina encontro um buteco, uma boca ou um puteiro. ando adentrando em cada um deles. me afogo na cachaça translúcida como as mentiras contadas, me jogo nas montanhas brancas anestesiantes para correr e me delicio com um par de coxas qualquer de uma mina que não é tu. e cada vez que você tropeça, eu morro uma vez. me afundo mais e mais no submundo. lugar negro, diferente dos copos de arak que roubei do árabe. diferente dos pós que consegui com o colombiano. diferente dos peitos alvos e rosados da européia loura. cada lugar que passo, vejo uma doença me invadindo. já vi a aids ao meu lado, já vi o câncer nos meus pulmões negros, já vi a cirrose destruindo meu fígado, já vi as artérias e veias explodindo por excessos. não tenho medo de nenhuma dessas. essas me matam, me levam a sete palmos abaixo de onde estás. fico longe de ti. a doença que tenho mais medo... é a tua doença. a tua presença. a minha fraqueza ante seus morenos cabelos. meu maior medo é a doença do amor.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

só se sabe que vive.

não se tem notícias do blog.

ele vive.

mas as idéias não.

mente morta.

corpo vivo.

prefiro o contrário.

mate o corpo.

viva a mente.

vivam as idéias.

viva a sagacidade.

morte ao físico.

jaz as idéias.

RIP my dear.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Mi muerte

Saio do caos amanhã. Irei para um bucólico sítio a 30 minutos de carro da cidade. Não suportarei a falta de trânsito, a falta de poluição, sou adicto a esse lugar com movimentação o tempo todo. Eu preciso dessa intensidade, dessa bagunça, esse monte de gente, eu preciso do mundo. Cidades bucólicas do interior me entendiam, mesmo que se eu ficar aqui não faça nada... é diferente, aqui eu teria a chance de fazer... lá nem isso.
Vacas, galinhas, cavalos, lagos limpos, estrada de terra, mato, aaah! Isso não é pra mim, eu gosto de carros, barulho, sujeira, inquietação... a tranquilidade não me interessa, a tranquilidade pra mim é como um mar calmo para um surfista, a falta de drogas para um drogado, a falta de gasolina em um carro... eu não me movimento! Eu me entedio, isso é terrível.... AAAAH mas não tem jeito. eu preciso conseguir suportar.
Que venham os 10 dias, mas que passem logo, tentarei durmi-los por inteiro para conseguir passar mais rápido. 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Minha vida anda tranqüila, sem problemas. Porém... quando isso acontece, sou incapaz de escrever. Preciso de um buraco no caminho, preciso duma pedra na cabeça, preciso sair desse marasmo, dessa mediocridade. Tudo isso apenas para conseguir escrever algo, não precisa nem ser bom, mas preciso escrever, já se passam 15 dias sem uma linha escrita, idéias nem passam pela minha mente.

Por favor, se quiserem manter esse blog calado mantenham essa situação, mantenham essa paz. Se quiserem o meu bem, me tirem desse mar sem ondas, desse céu sem nuvens, dessa vida sem quedas. Tirar-me desse lugar é simples, me xinguem, me traiam, briguem, me larguem, me esqueçam, me abandonem. Simples assim. Preciso disso, essa vida sem letras, frases, emoções não é para mim. Sou masoquista, me chicoteiem que assim praticarei minha terapia, liberarei meus fantasmas, meus medos, meus lados nefastos daqui de dentro. Escrevo muito mais do que terapia, porem não sei como explicar, então digo terapia mesmo.

Dêem-me a solidão de algumas horas, uma poça de lágrimas, borrões avermelhados, cicatrizes, euforia, incerteza, saudades, me dêem a duvida saudável! Pronto. Assim escreverei.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

I'm not happy when it rains.


Chove forte. Há meses que D. Pedro chora por motivo desconhecido, castigando Santa Catarina, será que a mesma fez algo de mau? Não temos resposta para o plano superior.

Debaixo de um casebre simples a família celebra o primeiro “papai” dito pela menina de 11 meses. Seus pais riem do feito da pequena. A morada fica num morro protegido pela mata nativa, árvores verdejantes que estão cansadas de serem molhadas.

As lágrimas do santo continuam por horas seguidas, o céu está negro parece noite, não se sabe exatamente se já o é ou se ainda é dia, olham para o relógio, é hora de dormir. Deixam o nenê em seu berço quente, vão para a cama de casal.

Ela chora assustada pelo barulho de trovões.... os pais a levam para a segurança de seus braços. Conseguem-na acalma-la por certo tempo, não esperam o acontecimento que acontecerá em poucos... Boom! Ouvem ao fundo, o pai e marido protege sua família, num instinto rápido, animal! Segundos depois acontece o pior as árvores-muro caem. Lama invade toda a parte, leva pertences. A cama jaz em pedaços, ele solta a mão da mãe do rebento para proteger a indefesa criança... instantes depois é o fruto do amor que se vai. Ele é resgatado, preferia que resgatassem as duas e o deixassem, já não há tempo. O pai outrora orgulhoso perde tudo num espaço de segundos, no máximo um minuto.

Levam-no a uma igreja-abrigo. Está desolado, a tristeza, a desesperança, o medo e poucos momentos lúcidos se alternam. Não consegue chorar, não acredita, tenta, mas é impossível. Não dorme, lembra dos 11 meses mais felizes de sua vida e do momento em que o Sol brilhou forte e rapidamente... “Papai!”, “Papai”, “Papai”, ... a palavra, a lembrança, o momento, o sorriso, a voz... não sai de sua cabeça. Papai...

ps. Inspirado na reportagem ‘“Em menos de 1 minuto, eu perdi as duas’, diz o pai” – O Estado de S. Paulo, Terça-feira, 25 de novembro de 2008, p. C6 (Cidades/Metrópole).


quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Anseios, vontade, desejos, repulsa II

Abraço carinhosamente, meu homem, que está ao lado. Ele parece cansado, não dá atenção, vira o rosto, distante de mim... dá minha doce boca, será que me acha feia? Não entendo foi tão bom, cheio de carinho, o que fiz de errado? Faço perguntas se há algo errado, me responde curto e seco, com sims e nãos. Parece não se importar. Quero conversar!

Ta um calor dos infernos, estou descabelada e suada, será esse o problema? Ele acende seu cigarro intragável, por que eles sempre têm que fumar depois? Acho que é seu único problema... um péssimo hábito, eu falo, mas não me ouve, é teimoso. Ele está tão distante! Pouco tempo atrás estávamos como apenas um, agora ele viaja pelo seu mundo paralelo e alheio; não paro de pensar no belo homem que és!

Sim, sei que sou um tanto insegura, mas oras, como não ser? Meus cabelos são feios, sou gorda, já fiz dieta da lua, da sopa, a base de água, comprei a revista “Em Forma” e não deu resultado! O problema é comigo mesmo. É isso, por isso ele está distante, continuo fazendo carinho, sem resultados, porém.

De repente, uma reação inesperada! O filho-da-puta me chama de gorda, certeza que ele está com outra, que absurdo! Eu não sou gorda! Não sou! O expulso da minha cama, do meu quarto, da minha casa, da minha vida... AAAAAAAAAAAH! Eu tô gorda! Ele disse, pior ele teve a indolência de dar um lindo, quero dizer um horroroso sorriso, e disse que me ligaria... ai... vou tira-lo da minha vida! Eu te odeio!

Passo o resto da madrugada acordada, acordo minha amiga e me afundo em lágrimas raivosas, xingo o idiota e como um pote de sorvete! ... ele vai ver só! Um dia vai rastejar por mim, desgraçado!

ps. Esse texto é machista! É sexista! E é paródico! Especial para Érika! Que venham as pedras que meu telhado não é de vidro

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

anseios, vontades, desejos, repulsa

Viro pro lado e tento adormecer, porém a moçola insiste em querer conversar e perguntar e invadir meu espaço. Desejo apenas minha paz interior, recuperar meu fôlego, depois de muitas curvas, níveis e desníveis, altos e baixos relevos. Mas, diabo, insiste em não calar. Acendo meu cigarro restaurador e me imagino em outros braços, num lugar qualquer bem distante donde estou; longe desse calor que cola e molha, como molha. Mèrde! Ao que parece ela discorda, entretanto não usa palavras, apenas gruda os corpos nuns aos outros, molhada já está.

Desejo algo, ela também o faz, mas não há concordância nas vontades: eu quero fugir, ela quer ficar; eu quero o êxtase e o descanso, ela quer o êxtase e atenção; eu quero apenas fumar, ela quer só falar; eu não desejo ouvir, ela também não. De forma lacônica a noite termina... digo belas gordas palavras e viro para o lado. Ofendida, se veste e me expulsa de seu abafado quarto. Agradeço com um sorriso, digo cinicamente que ligarei. Ando pela fresca madrugada, agora com meu anseio de paz realizado... não sinto remorso algum em descarta-la como comida vencida.
Chego em casa e, finalmente, durmo sob o ar condicionado, pensando em braços, não os da moçoila de minutos atrás, mas noutra, aliás A outra.


segunda-feira, 27 de outubro de 2008

EP - Pareço Virtual


Meus queridos leitores (cof.cof), lembram quando escrevi sobre o Cérebro Eletrônico e o fantástico show? Pois é, a Phonobase, gravadora da banda mandou um link especial para baixar um EP virtual, cujo nome é Pareço Virtual, com algumas músicas do cd Pareço Moderno, remixes inéditos e músicas ao vivo. Recomendo fortemente!
É complicado resumir o som da banda, são influências de todos os lados, desdo rock passando pela bossa e mpb. Letras bem-humoradas com citações pop (Caetano, Roberto Carlos, Raul, entre outros), melodias que grudam... Bom, perceberam que eu gosto demais, né?

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

a desordem da ordem.


tudo está fora do lugar ou talvez esteja no lugar que sempre deveria estar. há controvérsias: invadiram sua casa, "arrumaram" as coisas como se fosse o lar dos invasores. aquela perfeita ordem artificial, aquela sensação de invasão íntima. simplesmente ali não é o que era, enquanto não desarrumar tudo, será apenas um novo espaço,  não sabe quanto tempo demorará. na verdade, nem tem certeza se não levaram nada, afinal... ele sabia onde estavam as coisas na desordem anterior, espera descobrir logo onde está o velho quadro verde psicodélico, o maldito escalímetro quebrado que era da vovó, os quadrinhos do watchmen, a camisa listrada do verdão de 93, os cds pirateados do velvet underground, do jesus & mary chain e do vanguart, além claro de toda sua coleção de livros beat. maldição! não os acha e sente um profundo vazio, parte de sua vida não está como devia estar. procura em cada pilha que vê. espera que não demore muito, afinal a morte já está batendo à porta com sua foice.

ps. por favor, se ainda existirem erros... avisem, foram 9 editadas em 15 minutos. ando meio desconcentrado.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

adeus, meu porto seguro...


meu navio está totalmente à deriva no grande oceano, abandonei a pouco meu porto seguro, talvez alguém o invada ou o destrua, mas é necessária a partida. mudanças são fundamentais. nesses dois anos e pouco, fizemos pequenas viagens até ilhas e portos próximos, mas nada excepcional. não sei quando voltarei para ai, tampouco sei se sobreviverei ao vasto mundo, mas para isso que vivemos, grandes aventuras piratas. meus marujos estão loucos de ansiedade. parto sem data para volta. sobrevivo com a intenção de viver. pilho para não ser pilhado. e que venha à próxima nova grande aventura. adeus meu porto seguro. talvez seja um até breve, mas o futuro não me pertence, então que seja...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Domingo

Por que diabos as madrugadas frias de domingo para segunda me deixam melancólico e saudosista, escrevendo besteiras a mil. São textos com um quê de tristeza, cartas apaixonadas, despedidas, não há um que seja diferente dos tipos anteriores. Olho as fotos da velha juventude. O tocador de música ainda ajuda, só coloca as canções de chorar. Quando não é ele, sou eu que escolho as que se encaixam na descrição. É um tal de colocar blueses sobre o sofrimento humano, baladas com meio coração rasgado como inspiração e crooners cantando com sua voz grave sobre como ela o deixou. Então me perguntas: “por que cazzo você não foi dormir depois da vinhetinha do Fantástico? És insone? Porra, é domingo! Amanhã é segundona, meu!” Dou um sorriso amarelo e digo: “a melancolia que me deixa desse modo, também me atrai profundamente... ela é como uma luz brilhante num túnel escuro, uma corda comprida para um suicida, um pão fresco para um faminto. E não, não sou insone, durmo muito bem obrigado.” E esse é apenas mais um de sei lá quantos que ainda viverei. Triste, não?

sábado, 23 de agosto de 2008

O chuvisco fino e gelado toca minha pele causando uma deliciosa sensação entre o corpo quente e a água fria. No som Lou Reed declama uma canção tristonha e melancólica. Ponho o braço pela janela com um cigarro aceso na mão... a ponta em chama destaca a escuridão... bato e as cinzas voam calmamente no ritmo do vento com rotações mágicas. E eu cá estou, madrugada adentro, acordado como sempre.

Sometimes I feel so happy
Sometimes I feel so sad
Sometimes I feel so happy
But mostly you just make me mad
Baby, you just make me mad

Linger on your pale blue eyes
Linger on your pale blue eyes

Thought of you as my mountain top
Thought of you as my peak
A thought of you as everything
I've had, but couldn't keep
I've had, but couldn't keep

Linger on your pale blue eyes
Linger on your pale blue eyes

Skip a life completely
Stuff it in a cup
They said, money is like us in time
It lies, but can't stand up
Down for you is up

Linger on your pale blue eyes
Linger on your pale blue eyes

It was good what we did yesterday
And I'd do it once again
The fact that you are married
Only proves you're my best friend
But it's truly, truly a sin

Linger on your pale blue eyes
Linger on your pale blue eyes

If I could make the world as pure
And strange as what I see
I'd put you in a mirror
I'd put in front of me
I'd put in front of me

Linger on your pale blue eyes
Linger on your pale blue eyes

Lou Reed continua a bela canção... traz a melancolia junto com o passar das horas e já são duas e trinta e seis da madrugada... Seus pálidos olhos azuis... minha loucura, minha madrugada, minhas sensações. Acendo mais um e continuo na janela olhando para o negro céu.